Fabricio Muller

“Os Enamoramentos”, de Javier Marías
Literatura
“Os Enamoramentos”, de Javier Marías
23 de abril de 2017 at 22:55 0
A “Jovem Prudente” não é exatamente uma garota: é uma moça de nome María, que trabalha como editora e odeia escritores – todos vaidosos, segundo ela. O apelido foi dado pelo “Casal Perfeito” – um casal mais velho que é admirado diariamente pela “Jovem Prudente” num café em Madri. O casal e a moça apenas se cumprimentam, mas nunca conversam nem sabem os nomes uns dos outros. (mais…)
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“Os Frutos da Terra”, de André Gide
Literatura
“Os Frutos da Terra”, de André Gide
9 de abril de 2017 at 23:17 0
Alguns livros influenciaram profundamente minha maneira de ver o mundo. A Bíblia. O Livro da Vida de Santa Teresa d’Ávila. O Homem Eterno, de G. K. Chesterton. A Interpretação dos Sonhos, de Sigmund Freud. Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust. A Lanterna na Popa, de Roberto Campos. O primeiro destes livros foi “Os Frutos da Terra”, de André Gide. Eu li há tanto tempo que não lembro direito os detalhes do meu amor por ele. Havia algo como deixar-se levar pela vida, amar a natureza, não ter preocupações com posses ou dinheiro. De todo modo, eu lembro bem que carregava o livro de cima para baixo, e lia trechos dele para os coitados que estivessem por ali. Reli há pouco o livro, agora em francês. “Les Nourritures Terrestres” é uma obra difícil de classificar: tem trechos de poesias em prosa, trechos de poesias rimadas, pequenas histórias, filosofia, tudo de maneira aparentemente desordenada – não dá para imaginar o que a próxima página nos reserva. (mais…)
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Romances para Adolescentes
Literatura
Romances para Adolescentes
30 de março de 2017 at 23:08 0
Instado pela minha filha Teresa, que está deixando a adolescência para entrar na vida adulta, está nos meus planos escrever um livro para adolescentes. Como não poderia deixar de ser, estou lendo alguns livros no estilo para tentar pegar o jeito da coisa. A experiência tem sido ótima! (mais…)
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“Uma Temporada no Escuro”, de Karl Ove Knausgard
Literatura
“Uma Temporada no Escuro”, de Karl Ove Knausgard
19 de março de 2017 at 23:30 0
Enfim terminei de ler o quarto livro da série “Minha Luta”, do norueguês Karl Ove Knausgard, chamado “Uma Temporada no Escuro”, o último lançado no Brasil (Companhia das Letras, 496 páginas). Agora começa a agonia para esperar a tradução dos dois próximos, “Min kamp. Femte bok” e “Min kamp. Sjette bok” (nomes pegos na Wikipedia: segundo o Google Tradutor, simplesmente "Minha Luta. Quinto livro" e "Minha Luta. Sexto livro"). (mais…)
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Rubem Fonseca, Knausgard
Literatura
Rubem Fonseca, Knausgard
28 de fevereiro de 2017 at 19:47 0
Eu já tinha ficado bastante impressionado com “A Morte do Pai”, o primeiro dos livros da série autobiográfica “Minha Luta” (epa), do norueguês Karl Ove Knausgard. O segundo, “Um Outro Amor” (Companhia das Letras, 592 páginas), é ainda melhor: o início da relação com sua mulher, Linda, a vida com seus filhos, o início da carreira de escritor, a amizade com Geir e a mudança da Noruega para a Suécia são os principais temas do romance deste escritor espetacular, que consegue descrever um jantar em cinquenta páginas e mesmo assim manter o interesse para seus inúmeros (10% da população da Noruega já leu sua enorme série autobiográfica, para que se tenha uma ideia) leitores. O livro seguinte da série, “A Ilha da Infância” (Companhia das Letras, 436 páginas), que conta suas lembranças de infância e início da adolescência, por outro lado, mesmo longe de ser ruim, está distante da qualidade dos dois primeiros. Suas longas descrições de brincadeiras e passeios nas florestas próximas de onde vivia não deixam de ter seu interesse, mas os acontecimentos apresentados nos romances anteriores prendem muito mais a atenção. Além disso, o maior drama de “A Ilha da Infância”, a relação com o pai, sádico com os dois filhos, já tinha sido mais bem descrito em “A Morte do Pai”. De todo modo, Knausgard é sempre Knausgard, e a falta de descrição da descoberta do sexo – ele simplesmente descreve fatos anteriores e posteriores a este acontecimento sempre decisivo – é uma mostra da excelência (como se ainda precisássemos de alguma) do norueguês como escritor. (mais…)
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Bones: “GoodForNothing” e “Disgrace”
Música
Bones: “GoodForNothing” e “Disgrace”
9 de fevereiro de 2017 at 16:37 0
Os dois discos (mixtapes) mais recentes de Bones, “GoodForNothing” e “Disgrace”, têm muito em comum: o clima sombrio, os títulos depressivos, o curto número de faixas em termos do rapper (dez para “GoodForNothing”, doze para “Disgrace”). Por isto, para facilitar minha vida vou tratá-los aqui como um lançamento só. Tenho certeza de que Bones não se incomodaria. (mais…)
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Minhas músicas preferidas: 10. “Motherless Child Blues”, de Elvie Thomas
Música
Minhas músicas preferidas: 10. “Motherless Child Blues”, de Elvie Thomas
23 de janeiro de 2017 at 21:25 0
A primeira vez que ouvi falar em Elvie Thomas foi numa coluna do antigo blog de André Barcinski no R7 (agora seu blog está no UOL). O artigo trata Elvie Thomas como “a maior lenda do blues” e apresenta um link para um lindo vídeo da música, a cargo do New York Times. Eu achei estranho, porque nunca tinha ouvido falar nela. (mais…)
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“História de Uma Alma – Manuscritos Autobiográficos”, de Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face
Religião
“História de Uma Alma – Manuscritos Autobiográficos”, de Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face
22 de janeiro de 2017 at 22:38 0
Eu gostava tanto de Santa Teresa d’Ávila que, da primeira vez que li “História de uma Alma - Manuscritos Autobiográficos”, da santa francesa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face (1873-1897), mais conhecida entre nós por Santa Teresinha do Menino de Jesus, me senti totalmente frustrado. O que Santa Teresa d’Ávila tinha de exuberante, imponente, profunda e complexa, Santa Teresinha, com seu Pequeno Caminho, parecia apenas sem graça. Mais tarde, li que Sérgio Buarque de Holanda achava que o sucesso dela por aqui se devia à falta de profundidade religiosa do povo brasileiro. Concordei de cara. Quando o Papa João Paulo II a declarou Doutora da Igreja, o jornalista italiano que estava comentando a cerimônia de investidura para a RAI disse que esta era uma provocação do Papa. Concordei também. Mas Deus sabe como eu estava sendo injusto. (mais…)
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