Fabricio Muller

“Nietzsche”, de Scarlett Marton
Filosofia
“Nietzsche”, de Scarlett Marton
18 de junho de 2017 at 22:40 0
A coleção “Encanto Radical”, da Brasiliense, é uma série de curtas biografias sobre personagens históricos, artísticos e literários realmente encantadores. O nome da coleção é um primor. Carrego sempre comigo os exemplares das biografias de Marcel Proust, James Dean e Santa Teresa d’Ávila. (mais…)
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Minhas músicas preferidas: 9. “To Ü”, de Jack Ü
Música
Minhas músicas preferidas: 9. “To Ü”, de Jack Ü
15 de junho de 2017 at 15:48 0
Detroit é uma cidade decadente. Com a concorrência dos carros asiáticos, a indústria automobilística americana sofreu um golpe profundo, que acabou refletindo na cidade-sede da maioria das montadoras dos Estados Unidos. Uma quantidade enorme de casas foi abandonada, sem que novos moradores as ocupassem. Imagino que os DJs Skrillex e Diplo, que juntos formam o duo de música eletrônica Jack Ü, tenham pensado nisso quando colocaram, logo no início do clipe de “To Ü”, a legenda “September in Detroit”. Sim, estamos na sede da indústria automobilística americana, e a paisagem é desoladora. O clipe todo se passa numa rua onde o mato já tomou conta e, aparentemente, em suas proximidades: vemos casas e carros abandonados e muitos casais – heterossexuais e homossexuais dos dois sexos - em quartos onde a pobreza (para os padrões americanos, claro) é evidente. Em sua quase totalidade, os participantes do clipe são jovens e malvestidos, e o filtro utilizado na filmagem destaca a sensação de desolação. Os casais, quando não estão se beijando e se abraçando, olham para a câmera com um olhar tão triste quanto desafiador. (mais…)
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“Diário de um Fescenino”, de Rubem Fonseca
Literatura
“Diário de um Fescenino”, de Rubem Fonseca
13 de junho de 2017 at 21:44 0
Rufus é um escritor que mora sozinho, que não gosta da companhia de pessoas do mesmo sexo e que, por outro lado, ama ter relações com pessoas do sexo oposto. De preferência, com mais de uma ao mesmo tempo – sem que uma saiba da outra. Sem inspiração para escrever a obra para a qual tinha sido contratado, Rufus começa a escrever um diário – e é exatamente este diário o conteúdo de “Diário de um fescenino”, romance de Rubem Fonseca (1925 - ) publicado originalmente em 2003 (Companhia das Letras, 253 páginas). (mais…)
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Salmo 56, de São Gregório de Narek
Religião
Salmo 56, de São Gregório de Narek
24 de maio de 2017 at 18:01 1
Ainda não acabei de ler o livro “The Armenian Prayerbook” – “Livro Armênio de Orações” (Vem Press), de São Gregório de Narek (951-1003?). Também chamado de “Livro das Lamentações”, a obra é composta por 96 orações, que o autor esperava que servissem “de guia de orações para pessoas de toda parte”. Venerado como santo tanto pela Igreja Católica Armênia como pela Igreja Católica Romana, São Gregório de Narek foi recentemente proclamado “Doutor da Igreja” pelo Papa Francisco. Mais ou menos como acontece com os livros dos carmelitas Santa Teresa d’Ávila e de San Juan de La Cruz, apreciados tanto por católicos como por amantes de literatura de modo geral, “The Armenian Prayerbook” é uma das principais obras da literatura armênia, seja ou não cristã. De fato, a qualidade literária de “The Armenian Prayerbook” (a tradução em inglês a partir do original em armênio) é assombrosa: a riqueza de suas imagens, seu gosto por contrastes, a força de suas descrições (tanto as de seus próprios pecados como as do amor e poder infinitos de Deus) fazem com que não sejam fora de propósito as comparações frequentemente feitas entre esta obra e livros como os “Salmos” de Davi ou as “Confissões” de Santo Agostinho. No dizer de Thomas, J. Samuelian, na sua introdução de “The Armenian Prayerbook”, no livro “o empilhamento de metáforas e símiles e a repetição de contrastes previsíveis são fascinantes. A repetição e as variações dos sons e das ideias configuram uma ressonância dupla, dentro do texto e do leitor/ouvinte. Cada imagem no texto lança luz sobre outra, e cada uma fala para pessoas diferentes de maneiras diferentes”. Achei que se eu terminasse o texto por aqui não daria uma ideia do maravilhoso que é “The Armenian Prayerbook”. Então segue uma tradução aproximada do Salmo 56 do livro: (mais…)
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“A Cabeça de Um Homem”, de Georges Simenon
Literatura
“A Cabeça de Um Homem”, de Georges Simenon
12 de maio de 2017 at 23:45 0
Escrevi há quase um ano que “a cada tantos meses eu começo a pensar que ‘já tem muito tempo’ que não leio nenhum livro de Georges Simenon”. E que “quando a ‘coceira’ começa a incomodar, leio o mais rapidamente possível um de seus curtos romances, fico quase que inevitavelmente satisfeito e espero a próxima ‘coceira’ chegar – para mais uma nova alegria, claro. ” (mais…)
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“Os Livros da Selva”, de Rudyard Kipling
Literatura
“Os Livros da Selva”, de Rudyard Kipling
9 de maio de 2017 at 23:43 0
Eu não assisti ao desenho “Mowgli – O Menino Lobo”, de Walt Disney, o que acabou sendo bom na leitura dos contos de “Os Livros da Selva” (Penguin – Companhia das Letras, 560 páginas), de Rudyard Kipling (1865-1936), autor agraciado com o Prêmio Nobel de 1907. Explico: enquanto eu lia as estranhas histórias do Menino Lobo, cheias de violência e jogos de poder, eu ficava me perguntando: “mas como é que Walt Disney transformou este negócio aqui em uma história para crianças? ”. (mais…)
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“Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf
Literatura
“Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf
8 de maio de 2017 at 23:47 0
Li alguns livros de Virginia Woolf (1882-1941) na adolescência: lembro que gostei muito de “Passeio Ao Farol”, achei “Orlando” muito estranho, entendi muito pouco de “As Ondas” e basicamente nada de “Mrs. Dalloway” (1925) – e é este último que reli recentemente (Coleção Grandes Nomes da Literatura, da Folha de São Paulo, 188 páginas). Obviamente, me senti lendo o romance na primeira vez. (mais…)
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“A Obscena Senhora D”, de Hilda Hilst
Literatura
“A Obscena Senhora D”, de Hilda Hilst
7 de maio de 2017 at 23:41 0
Quando conversava com o crítico teatral Anatol Rosenfeld por que seus livros eram um sucesso de crítica, mas um fracasso de público, Hilda Hilst (1930-2004) comentava frequentemente: "por que acham que escrevo para eruditos? Eu falo tão claro. Falo até sobre a bunda”. "Tua bunda é terrivelmente intelectual, Hilda", respondia Rosenfeld. Esta história, contada na Folha de São Paulo de 20 de abril de 2013, resume bem a impressão inicial e o resultado da leitura de um romance como “A Obscena Senhora D” (Coleção Grandes Nomes da Literatura, da Folha de São Paulo, 54 páginas). (mais…)
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